Entrevista n.º1 – Donzela Medieval

A ESPL TV divulga o guião da sua primeira produção “Anacrónicas e Insólitas Mulheres”. O jornalista Gil Vaz recebe no seu estúdio uma jovem perdida no tempo e a agonizar de aflição.

 

DONZELA: Ai, Deus, u é meu amigo!? Vistes vós meu amigo, aquele que devia estar comigo!?

Gil Vaz: Como, minha senhora? Acalme-se por favor. Olhe, sente-se aqui. Quem é esse amigo de que me fala?

DONZELA: O meu amigo, o meu amado, aquele que mentiu do que me à jurado!

Gil Vaz: Por favor tenha calma, sente-se e explique-me o que se passou.

A Donzela limpa o rosto embebido em lágrimas, senta-se e começa a contar o sucedido.

DONZELA: Mia madre à fonte me mandara pera água ir buscar e lá estava um cervo a água a turbar e, nisto, passou meu amigo que me quis olhar.

Gil Vaz: Foi amor à primeira vista então?

DONZELA: Meu coração por ele logo sentiu grão cuidado, porém dois dias haviam já passado e eu não no voltara a ver.

Gil Vaz: Quer dizer que não chegou ao diálogo, ficaram-se só pelo olhar?

DONZELA: Nam, pois outro dia estivemos a bailar.

Gil Vaz: Belo progresso, como é que isso foi?

DONZELA: Um serão no largo da Igreja houvera e eu e mias amigas nos pusemos velidas pera sob a avelaneira bailar e nosso amigo cativar.

Gil Vaz: Que desenvoltura! E ainda dizem que isso são manias dos tempos de agora, e esse plano resultou?

DONZELA: Si, el plano resultado e meu amigo comigo há bailado. E leda fiquei eu, pois sobre o nosso amor todas as aves imentavam. Porém meu amigo lhes tolheu os ramos onde pousavam e secou as fontes onde iam beber. E eu choro então por ele, amar é sofrer!

Ao aperceber-se de que a Donzela estava de novo a chorar, Gil Vaz tenta reconfortá-la novamente.

Gil Vaz: Não perca a esperança, mas para a poder ajudar terá que me contar exatamente o que sucedeu.

DONZELA: O serão era já passado e nós estivemos a combinar que na fonte nos havíamos de encontrar, mas ele não apareceu, e eu choro então por ele, sofro por amar.

Gil Vaz: E ninguém viu vosso amigo?

DONZELA: Nem as flores nem as ondas do Mar de Vigo hão visto meu amigo, o por quem eu suspiro.

Súbito, Gil Vaz parece estar a receber alguma informação pelo intercomunicador, e reconforta a Donzela:

Gil Vaz: Tenho novas de vosso amigo, este é são e vivo.

DONZELA: Ai Deos e u é?

Gil Vaz: Vós me perguntastes pelo vosso amado e eu fui informado de que  está sano e vivo e estará convosco ant o prazo saído.

DONZELA: Ai Deos e u é?

Gil Vaz: Dizem que ele está à vossa espera na Igreja onde bailaram.

A Donzela enche-se de alegria, pois estará em breve com o seu amigo e ao sair do estúdio exclama:

– Ai Deos, leda m’and’eu!

 

Luís Dantas

Projeto de escrita criativa- 10ºI

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