Aniversário do nascimento de Fernando Pessoa (13 de Junho de 1888)

 

       

Meu coração tardou. Meu coração

Talvez se houvesse amor nunca tardasse;

Mas, visto que, se o houve, houve em vão,

Tanto faz que o amor houvesse ou não.

Tardou. Antes, de inútil, acabasse.

Meu coração postiço e contrafeito

Finge-se meu. Se o amor o houvesse tido,

Talvez, num rasgo natural de eleito,

Seu próprio ser do nada houvesse feito,

E a sua própria essência conseguido.

Mas não. Nunca nem eu nem coração

Fomos mais que um vestígio de passagem

Entre um anseio vão e um sonho vão.

Parceiros em prestidigitação,

Caímos ambos pelo alçapão.

Foi esta a nossa vida e a nossa viagem.

Fernando Pessoa (1888-1935)

10 de Junho – Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades

 Camões é símbolo de Portugal, sobretudo a partir do século XIX. É identificado como poeta e representa a cultura e a identidade do povo português no mundo.

 

imagescamões

 

Ditoso seja aquele que somente

 

Ditoso seja aquele que somente

Se queixa de amorosas esquivanças;

Pois por elas não perde as esperanças

De poder nalgum tempo ser contente.

 

Ditoso seja quem, estando absente,

Não sente mais que a pena das lembranças,

Porque, inda mais que se tema de mudanças,

Menos se teme a dor quando se sente.

 

Ditoso seja, enfim, qualquer estado,

Onde enganos, desprezos e isenção

Trazem o coração atormentado.

 

Mas triste de quem se sente magoado

De erros em que não pode haver perdão,

Sem ficar na alma a mágoa do pecado.

       Luís de Camões

 

No mundo quis o Tempo que se achasse

 

No mundo quis o Tempo que se achasse

O bem que por acerto ou sorte vinha;

E, por exprimentar que dita tinha,

Quis que a Fortuna em mim se exprimentasse.

 

Mas por que meu destino me mostrasse

Que nem ter esperanças me convinha,

Nunca nesta tão longa vida minha

Cousa me deixou ver que desejasse.

 

Mudando andei costume, terra e estado,

Por ver se se mudava a sorte dura;

A vida pus nas mãos de um leve lenho.

 

Mas, segundo o que o Céu me tem mostrado,

Já sei que deste meu buscar ventura

Achado tenho já que não a tenho.

 

                          Luís de Camões

Como estudar para os exames nacionais

Para te ajudar ficam algumas estratégias:            como estudar

  1. Se gostas de escrever e o teu método de estudo já inclui o que vulgarmente chamam de resumos da matéria, então fá-los. Se já tens resumo da matéria para os testes, melhor ainda, faz um resumo desses mesmos resumos.
  2. Se não gostas de escrever, lê os teus manuais e vai sublinhando o mais importante. Podes pedir emprestado os resumos a um amigo.
  3. Vai ao site do GAVE, lá encontrarás exames nacionais para todas as disciplinas. Se achares que esses exames são poucos, existem compilações de cadernos de exames na biblioteca da tua escola, ou outra, para consultares e resolveres.
  4. É uma enorme ajuda se começares por desenvolver o que tens mais dificuldade, ou seja focares-te um pouco mais na parte da matéria que costumas errar nos testes. Portanto deves pegar nos testes que fazes para as aulas e tentar resolver as perguntas que erraste.
  5. Se o exame é de matérias que sejam puramente de raciocínio, (ciências exatas) só a prática te vai ajudar.

15  Dicas para o Dia do Examelápis

1.      Madruga para ter tempo de sobra para tomar o pequeno-almoço e preparar com tranquilidade.

2.      Verifica a hora e lugar do exame para assegurar-te de que não confundiste o dia, hora ou lugar.

3.      Não comas muito ou muito tarde pois terás maior dificuldade em adormecer. Vai para a cama cedo e tenta descansar  pelo menos 6 horas para ter o teu cérebro bem desperto no dia seguinte. Toma um pequeno-almoço equilibrado e não comas nada pesado.

4.      Antes de sair de casa assegura-te de que tens tudo o que precisas. Bilhete de Identidade/Cartão de Cidadão, lápis, canetas, etc.

5.      Dirige-te ao local do exame  o mais cedo possível. Podem acontecer muitas coisas inesperadas pelo caminho e não queres chegar atrasado!

6.       Se há gente ao pé de ti que está num estado de pânico, evita-os. Não te estão a fazer nenhum favor!

7.      Vai à casa de banho antes de começar o exame.

8.      Lembra-te de preencher de forma correta, o cabeçalho, na(s) folha(s) de exame.

9.      Lê todas as perguntas cuidadosamente antes de começar a responder e decide quanto tempo dedicarás a cada uma.

10.  Começa por responder às perguntas  mais fáceis.

11.  Se achas que não te lembras da resposta, começa a escrever qualquer coisa e verás como te começarás a lembrar.

12.  Não gastes mais tempo do que o esperado em cada pergunta. Deixa as perguntas que não tens claro até ao fim.

13.  Não tenhas  medo de perguntar ao examinador se tiveres alguma dúvida.

14.  Aproveita cada minuto do exame e se tens tempo de sobra, revê as tuas respostas antes de o entregar.

15.  Mantém a calma. Fizeste o que tinhas que fazer e não tens nada a temer!

Durante os exames

Se realizaste um bom estudo ao longo dos três anos não tens que recear, uma revisão da matéria é suficiente, e estás apto a atingir os teus objetivos.

Caso te tenhas desleixado, é importante que não te disperses e peças ajuda nesta fase, a um explicador, a um professor ou até a colegas que dominem a matéria e estejam dispostos a estudar contigo – estes podem ajudar-te a orientares melhor o teu estudo e a tirar as tuas dúvidas.

É importante referir que cábulas num exame dão direito a uma anulação direta do mesmo, por isso leva apenas 2 canetas (não arrisques levar só uma, porque pode falhar) e o teu BI ou cartão de cidadão.

Por fim, para o dia do exame, é importante que não fiques demasiado nervoso, pode bloquear o teu pensamento, mas também não vás demasiado relaxado. A expetativa e aquele friozinho na barriga põem a adrenalina a percorrer pelo corpo e ajudam a desenvolver o raciocínio, desde que não seja em demasia. É importante que encontres o teu meio-termo.

Bons exames!

ensino

 

Maio

Vinicius de Moraes

 

imagem

 

 

 

 

 

Soneto de Maio

Suavemente Maio se insinua
Por entre os véus de Abril, o mês cruel
E lava o ar de anil, alegra a rua
Alumbra os astros e aproxima o céu.

Até a lua, a casta e branca lua
Esquecido o pudor, baixa o dossel
E em seu leito de plumas fica nua
A destilar seu luminoso mel.

Raia a aurora tão tímida e tão frágil
Que através do seu corpo transparente
Dir-se-ia poder-se ver o rosto

Carregado de inveja e de presságio
Dos irmãos Junho e Julho, friamente
Preparando as catástrofes de Agosto…

 

HUMILDADE

“Tanto que fazer!

livros que não se lêem, cartas que não se escrevem,
línguas que não se aprendem,
amor que não se dá,
tudo quanto se esquece.

Amigos entre adeuses,para o blog
crianças chorando na tempestade,
cidadãos assinando papéis, papéis, papéis…
até o fim do mundo assinando papéis.

E os pássaros detrás de grades de chuva.
E os mortos em redoma de cânfora.

(E uma canção tão bela!)

Tanto que fazer!
E fizemos apenas isto.
E nunca soubemos quem éramos,
nem pra quê.”

Cecília Meireles