Sinopses X
Ficções, Jorge Luís Borges
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para os 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.
«As sete peças deste livro não requerem elucidação de maior. A sétima (O Jardim dos caminhos que se bifurcam) é policial; os seus leitores assistirão à execução e a todos os preliminares de um crime, cujo propósito não ignoram mas que não compreenderão, julgo eu, até ao último parágrafo. As outras são fantásticas, uma – A lotaria na Babilónia – não é de modo nenhum inocente de simbolismo. Não sou o primeiro autor da narrativa A biblioteca de Babel; os curiosos da sua história e pré-história podem consultar certa página do número 59 de SUR, que regista os nomes heterogéneos de Leucipo e de Lasswitz, de Lewis Carroll e de Aristóteles. Em As ruínas circulares tudo é irreal; em Pierre Menard, autor do Quxote é-o o destino que o protagonista se impõe a si próprio. A lista dos escritos que lhe atribuo não é muito divertida mas não é arbitrária; é um diagrama da sua história mental…
Desvario laborioso e empobrecedor é o de compor vastos livros; o de espraiar por quinhentas páginas uma ideia cuja perfeita exposição oral cabe em poucos minutos. Melhor procedimento é simular que esses livros já existem e oferecer um resumo, um comentário. Assim procedeu Carlyle em Santor Resartus; e igualmente Butler em The Fair Heaven; obras que têm a imperfeição de serem também livros, e não menos tautológicos que os outros. Mais razoável, mais inepto, mais mandrião, eu preferi a escrita de notas sobre livros imaginários. São elas Tlö, Uqbar, Orbis Tertius e a Análise da obra de Herbert Quain.»
Contos Vagabundos, Mário de Carvalho
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para os 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.
São 17 contos que Mário de Carvalho reúne em “Contos Vagabundos”. Vagabundos, talvez, porque são de variadas proveniências, tendo sido primeiramente publicados em revistas ou antologias, a maior parte na revista “(livros)”, do jornal “O Independente”. Mas a sua organização dentro do livro, uma espécie de montagem, dão-lhes um sentido outro, recriando-os, como se fossem publicados agora pela primeira vez.
A escrita de Mário de Carvalho, ancorada no fantástico extraído do/inserido no quotidiano, cria situações burlescas (um semáforo a pedais no centro do Porto, no conto “Famílias Desavindas” – hoje com as obras na cidade, até dava um certo jeito -; um avião que pára a 214 metros do chão, em “Fenómenos de Aviação”, etc.), cómicas, carregadas de ironia, que desmontam, e ao mesmo tempo encenam, o quotidiano em que vivemos.
Claraboia, José Saramago
A ação do romance localiza-se em Lisboa em meados do século XX. Num prédio existente numa zona popular não identificada de Lisboa vivem seis famílias: um sapateiro com a respetiva mulher e um caixeiro-viajante casado com uma galega e o respetivo filho – nos dois apartamentos do rés do chão; um empregado da tipografia de um jornal e a respetiva mulher e uma “mulher por conta” no 1º andar; uma família de quatro mulheres (duas irmãs e as duas filhas de uma delas) e, em frente, no 2º andar, um empregado de escritório a mulher e a respetiva filha no início da idade adulta.
O romance começa com uma conversa matinal entre o sapateiro do rés do chão, Silvestre, e a mulher, Mariana, sobre se lhes seria conveniente e útil alugar um quarto que têm livre para daí obter algum rendimento. A conversa decorre, o dia vai nascendo, a vida no prédio recomeça e o romance avança revelando ao leitor as vidas daquelas seis famílias da pequena burguesia lisboeta: os seus dramas pessoais e familiares, a estreiteza das suas vidas, as suas frustrações e pequenas misérias, materiais e morais.
O quarto do sapateiro acaba alugado a Abel Nogueira, personagem para o qual Saramago transpõe o seu debate – debate que 30 anos depois viria a ser o tema central do romance O Ano da Morte de Ricardo Reis – com Fernando Pessoa: Podemos manter-nos alheios ao mundo que nos rodeia? Não teremos o dever de intervir no mundo porque somos dele parte integrante?
Histórias Falsas, Gonçalo M. Tavares
Excerto
“Descia Mercator umas pequenas escadas quando deparou com o filósofo, pobremente vestido, sentado no chão, contra a parede, a comer lentilhas. Arrogante, mais do que era seu costume, cheio de vaidade pela riqueza que ostentava, e pelo estômago farto, disse, para Diógenes: – Se tivesses aprendido a bajular o rei, não precisavas de comer lentilhas. E riu-se depois, troçando da pobreza evidenciada por Diógenes. O filósofo, no entanto, olhou-o ainda com maior arrogância e altivez. Já tivera à sua frente Alexandre, o Grande, quem era este, agora? Um simples homem rico? Diógenes respondeu. À letra: – E tu – disse o filósofo – se tivesses aprendido a comer lentilhas, não precisavas de bajular o rei.”
As Neves do Kilimanjaro, Ernest Hemingway
Plano Nacional de Leitura
Livro recomendado para os 10º, 11º e 12º anos de escolaridade, destinado a leitura autónoma.
Kilimanjaro é uma montanha coberta de neve, com seis mil metros de altura, que, segundo se diz, é a montanha mais alta de África. O seu cume ocidental tem o nome de Ngaje Nagai, em masai a Casa de Deus. Estão reunidas neste volume algumas das histórias mais famosas de Hemingway, como a que dá o título ao livro e «A Curta e Feliz Existência de Francis Macomber», ambas consideradas obras-primas do autor. Em «As Neves do Kilimanjaro», o escritor Harry Street, ferido no decorrer de um safari, agoniza, com uma gangrena fulminante, enquanto, junto à sua actual mulher que o acompanha e procura animar, vai recordando os seus antigos amores e os livros que escreveu. Ao longo de páginas arrebatadoras, já adaptadas ao cinema, o leitor assiste então a uma pungente história de paixão, vivida em plena luta pela sobrevivência.
Comédias Para se Ler na Escola, Luís Fernando Veríssimo
Este livro do brasileiro Luís Fernando Veríssimo reúne uma selecção de crónicas que foi publicando ao longo dos últimos anos. Nelas se discorre sobre os conflitos na família ou os mal-entendidos do amor e do sexo. Brinca-se com as palavras e com o o Brasil. De forma “gostosa”, como dizem os brasileiros, e um amante da língua e da arte de bem escrever, como Veríssimo, sabe fazer.
Os livros que devoraram o meu pai, Afonso Cruz
Vivaldo Bonfim é um escriturário entediado que leva romances e novelas para a repartição de finanças onde está empregado. Um dia, enquanto finge trabalhar, perde-se na leitura e desaparece deste mundo. Esta é a sua verdadeira história — contada na primeira pessoa pelo filho, Elias Bonfim, que irá à procura do seu pai, percorrendo clássicos da literatura cheios de assassinos, paixões devastadoras, feras e outros perigos feitos de letras.


